Você se lembra daquele quarto enfeitado por algumas borboletas violetas na parede? Se lembra qual foi o nosso último momento ali? É, eu me lembro. O dia não havia terminado nada bem e eu pensei que podíamos mudar e fazer valer a minha noite, já que antes o mundo tinha desmoronado, mas você me conhece, ele se monta novamente quando percebo sua respiração, perto de meu pescoço, sussurrando que vai ficar tudo bem, me dando segurança.

A sua voz foi diferente dessa vez, eu percebi pelo o tom. Seu sorriso não parecia o mesmo. Deduzi comigo que poderia ser algo em sua família, alguns de seus problemas, mas sem se referir à mim que você dizia ser o motivo para sorrir. Algo te prendia de lhe falar, você estremecia sua voz, ficava baixa. Resolvi esperar. Enquanto isso o quarto em que nos divertimos permaneceu em silêncio por alguns instantes. Sua voz saiu, finalmente. 

- Desculpe pequena, mas é isso. Ele disse pausadamente.
- Isso, isso o que? Meu coração sabia, mas meus pensamentos forçavam em não saber.
- É o que você esta pensando, desculpe, mas eu preciso. Ele se aproximou de mim, juntou-se suas mãos em meu rosto e sorriu.
- Como você pode sorrir em um momento assim? Em um momento que esta me cortando.
- O sorriso é para que você saiba que eu passei os melhores momentos com você e foram sinceros… Antes mesmo dele continuar, sua voz parou, a lágrima em meu rosto desceu, quente, uma dor.
Eu sabia me segurar, eu juro que sabia. Na frente dele, tudo saia do padrão e ia para o diferente, o perigo, talvez. Várias perguntas se passavam em minha cabeça, mas nenhuma tinha respostas, era melhor assim, iria machucar menos. 

Logo após ele passou as pontas de seus dedos em meu rosto, tentando evitar o máximo da minha tristeza. Meus olhares se desviavam dos deles, era preciso. Em momento algum eu consegui olhar para ele, era sempre de um lado para o outro, ou de baixo para cima. 

- Fique bem minha princesa e não deixe que ninguém estraga seu dia, você precisa deles para sobreviver. Então, tome cuidado. Você foi tudo para mim! Ele logo me deu um breve beijo em minha testa, por alguns segundos passou tudo em meus pensamentos, não pude evitar, de novo.

A porta de meu quarto abriu, lentamente, ele saiu e me olhou, era um olhar de carência, de afeto, mas nada resolveu, ele se foi. Levando o que trouxe, a felicidade, o amor, a brincadeira, a delicadeza e o carinho. Foi ali que meu quarto ficou vazio, um silêncio.